Alergia ao ovo e a vacina contra febre amarela | 45º Congresso da ASBAI

Hoje dou sequência às considerações sobre as apresentações do 45º Congresso da ASBAI e separei como tema a vacina contra febre amarela e a alergia ao ovo. Em sessão de apresentação de trabalhos, foi discutido o acompanhamento de pacientes com história de alergia a ovo e a possibilidade de receberem a vacina contra a febre amarela. Em estudo do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP, realizou-se o diagnóstico com teste intradérmico e foram acompanhados os pacientes quanto às reações após o recebimento das vacinas.

De maneira geral, como a vacina é cultivada em ovos embrionados de galinha, ela carrega as proteínas do ovo, que podem desencadear em alérgicos reações como a urticária, vômitos, febre e dor muscular, por exemplo. Conforme indica a própria ASBAI (https://bit.ly/2AtbtBD), existem duas situações principais, cujas condutas já estão bem determinadas:

1. Pessoas com história de reações alérgicas leves a moderadas, após ingerirem ovo (apenas urticária, por exemplo), podem receber a vacina sob supervisão médica e devem ficar em observação por 30 minutos após a vacinação.

2. Pessoas com história de reações alérgicas graves após a ingestão de ovo, como a anafilaxia, por exemplo, têm contraindicação para receber a vacina contra febre amarela.

No entanto, a febre amarela é uma doença grave, que pode levar à óbito, e a aplicação da vacina ou não deve levar em consideração o risco acentuado em regiões endêmicas, conforme recomenda o Ministério da Saúde. Neste ano de 2018, por exemplo, tivemos o caso de Mairiporã, no Interior de São Paulo, onde o número de casos da doença atingiu índices alarmantes.

Para aqueles que são alérgicos graves à proteína do ovo e moram em regiões como essa – ou precisarão se deslocar até lá –, a recomendação é para procurar centros especializados de imunização, como os CRIEs (Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais), onde poderão receber orientações quanto a aplicação segura de vacinas e avaliar opções como a vacinação sob supervisão médica, fracionamento de doses, entre outras.

* Dra. Anete Sevciovic Grumach, pediatra, alergista e imunologista, professora de Imunologia Clínica da Faculdade de Medicina do ABC, onde também coordena o Centro de Referência de Doenças Raras.

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